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Inclusão

O que é AEE: guia para a professora, com legislação e plano de AEE em PDF

Por Equipe Pluma ·

Resumo

AEE é o atendimento que identifica e remove barreiras para o aluno público-alvo da educação especial. Complementa a sala comum, não a substitui.

Neste artigo você vai encontrar
  1. O que significa AEE
  2. O que diz a legislação
  3. Quem é o público-alvo
  4. Onde e quando acontece
  5. O que faz a professora do AEE
  6. Quem faz o quê na inclusão
  7. Plano de AEE em seis campos
  8. As primeiras quatro semanas com um aluno novo
  9. Erros comuns no AEE
  10. Materiais para imprimir

AEE é o atendimento que identifica e remove barreiras para o aluno público-alvo da educação especial. Ele complementa a sala comum e nunca a substitui. Neste guia estão a base legal, o público-alvo, o que a professora do AEE faz na semana, um quadro de responsabilidades e os modelos para imprimir. Os materiais do tema estão reunidos no hub de Inclusão e AEE.

O que significa AEE

Atendimento Educacional Especializado é um serviço da educação especial que organiza recursos de acessibilidade e estratégias pedagógicas para que o estudante participe e aprenda na escola comum. A palavra-chave é barreira: o foco do AEE não é “consertar” a criança, e sim identificar o que, no ambiente, no material ou na forma de ensinar, impede a participação.

Três ideias resumem o serviço:

  • É complementar ou suplementar. Complementar para estudantes com deficiência e autismo; suplementar para altas habilidades.
  • É pedagógico, não clínico. A professora do AEE não faz terapia, não diagnostica e não substitui fonoaudiólogo, psicólogo ou terapeuta ocupacional.
  • Acontece em articulação com a sala comum. Se o que é feito no AEE não chega à turma regular, o atendimento perde metade do sentido.

O que diz a legislação

Norma O que estabelece para o AEE
Resolução CNE/CEB 4/2009 Diretrizes operacionais: público-alvo, oferta preferencial em sala de recursos multifuncionais no contraturno, plano de AEE e atribuições da professora
Decreto 7.611/2011 AEE como serviço complementar ou suplementar; apoio técnico e financeiro da União; dupla matrícula no Fundeb
Lei 13.146/2015 (LBI) Art. 28: sistema educacional inclusivo, AEE, plano de atendimento, profissional de apoio escolar, adaptações razoáveis
Lei 12.764/2012 Direitos da pessoa com autismo, incluindo acompanhante especializado em caso de necessidade comprovada
Lei 14.254/2021 Acompanhamento integral de estudantes com dislexia, TDAH ou outro transtorno de aprendizagem

Um detalhe que gera confusão na escola: a Lei 14.254/2021 não coloca dislexia e TDAH dentro do público-alvo do AEE. Ela garante identificação precoce, encaminhamento e apoio, o que muitas redes organizam com a equipe pedagógica e, quando há vaga e critério local, também com o AEE. Vale conferir a normativa da sua rede.

Quem é o público-alvo

A Resolução CNE/CEB 4/2009, art. 4º, define três grupos:

  1. Estudantes com deficiência: física, intelectual, visual, auditiva ou múltipla.
  2. Estudantes com transtornos globais do desenvolvimento, termo da época que hoje corresponde principalmente ao transtorno do espectro autista.
  3. Estudantes com altas habilidades ou superdotação.

Para cada grupo o trabalho muda bastante. Com um aluno cego, o AEE ensina Braille, soroban e orientação e mobilidade. Com uma aluna surda, Libras e português escrito como segunda língua. Com um estudante autista, comunicação, previsibilidade e organização. Com um aluno com altas habilidades, enriquecimento curricular. Os guias específicos estão em atividades adaptadas para autismo, deficiência intelectual, deficiência visual e auditiva e altas habilidades.

Onde e quando acontece

O lugar preferencial é a sala de recursos multifuncionais, na própria escola ou em escola próxima, no contraturno. A resolução também prevê centros de AEE da rede pública ou de instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos conveniadas.

Na prática, a frequência varia: dois atendimentos semanais de 50 minutos é um arranjo comum, mas o plano de cada estudante define a carga. O atendimento pode ser individual ou em pequenos grupos, organizados por necessidade, não por diagnóstico. A rotina da sala está detalhada em sala de recursos: atividades e organização.

O que faz a professora do AEE

O art. 13 da Resolução 4/2009 lista as atribuições. Traduzidas para a semana real:

  • Estudo de caso. Observar o aluno na sala comum, no recreio e no atendimento; conversar com a família e com a professora regente; ler relatórios anteriores.
  • Plano de AEE. Definir objetivos, recursos, frequência e parcerias. É o documento de trabalho.
  • Produzir e organizar recursos. Prancha de comunicação, material ampliado, texto em Braille, régua de leitura, jogos.
  • Ensinar o uso dos recursos. Não basta entregar a prancha: o aluno precisa aprender a usá-la, e a turma também.
  • Orientar a professora da sala comum e a família. Uma conversa de 15 minutos por semana com a regente costuma render mais do que uma hora de atendimento isolado.
  • Acompanhar a funcionalidade dos recursos na sala comum e em outros espaços da escola.
  • Articular com a saúde e a assistência social, quando necessário, sem assumir o papel desses serviços.

Quem faz o quê na inclusão

Responsabilidade Professora regente Professora do AEE Profissional de apoio Coordenação
Planejar a aula da turma Principal Orienta adaptações Não Acompanha
Adaptar atividade do dia Principal, com apoio Sugere modelos Aplica, sob orientação Garante tempo
Ensinar recurso de acessibilidade Reforça Principal Reforça —
Higiene, alimentação, locomoção — — Principal Organiza
Avaliar aprendizagem Principal Contribui Registra observações Acompanha
Conversar com a família Sim Sim Não sozinho Media

O profissional de apoio escolar está definido na LBI (art. 3º, XIII) e atua em alimentação, higiene, locomoção e atividades escolares, mas não substitui nenhuma das professoras. Mais em mediador escolar: o que faz.

Plano de AEE em seis campos

Cada rede tem seu formulário, mas um plano útil responde a estas perguntas:

  1. Quem é o estudante. Interesses, forma de comunicação, o que já faz com autonomia.
  2. Quais barreiras foram observadas. Comunicação, acesso ao texto, mobilidade, organização, interação.
  3. Objetivos do semestre. Poucos e observáveis. “Usar a prancha para pedir ajuda em três situações” é melhor que “desenvolver a comunicação”.
  4. Recursos e estratégias. O que será produzido e ensinado.
  5. Organização do atendimento. Dias, horário, individual ou em grupo, duração.
  6. Articulação. O que a sala comum vai fazer, o que a família vai fazer, quando revisar.

O Gerador de PEI com IA monta um rascunho a partir dessas informações. Você revisa, ajusta à sua rede e assina. Para entender a diferença entre os documentos, veja como fazer um PEI passo a passo.

As primeiras quatro semanas com um aluno novo

  • Semana 1: observar em três contextos (sala, recreio, atendimento) e registrar o que o aluno faz, não o que falta.
  • Semana 2: conversar com a família e com a regente; reunir relatórios de anos anteriores e, se houver, de terapeutas.
  • Semana 3: escrever o plano de AEE com dois ou três objetivos e combinar com a regente uma única adaptação para começar.
  • Semana 4: checar se a adaptação chegou à sala comum e ajustar. Só então acrescentar a próxima.

Começar pequeno parece lento, mas evita o plano de dez páginas que ninguém consegue cumprir.

Erros comuns no AEE

  • Transformar o AEE em reforço escolar. Refazer a lição de casa no contraturno não remove barreira.
  • Esperar laudo para começar. O estudo de caso pedagógico vem primeiro.
  • Atendimento sem conversa com a regente. O recurso fica na sala de recursos e não vai para a turma.
  • Objetivos genéricos. “Melhorar a atenção” não dá para avaliar no fim do semestre.
  • Agrupar por diagnóstico. Dois alunos autistas podem precisar de coisas opostas.

Materiais para imprimir

Material Para quê Acesso
Braille na Nossa Sala: a Tabela Oficial e Atividades Apresentar o Braille à turma Grátis
O PEI da Nossa Escola: Modelo Atualizado Modelo de PEI para preencher Assinante
Adaptar Sem Diminuir: Ficha de Adaptação de Atividades Registrar adaptações com a regente Assinante
PAEE — Plano de Atendimento Educacional Especializado (Autismo) Plano de AEE pronto para adaptar Assinante
Meu Dia na Escola: Prancha de CAA Comunicação na rotina Grátis
Números até 10: Caderno com Apoio Visual (AEE) Matemática com apoio visual Grátis
Vá Além: Caderno de Desafios para Altas Habilidades Enriquecimento curricular Assinante
Kit de Comunicação Visual Cartões e pranchas Assinante

Continue com: adaptação curricular e flexibilização, laudo e encaminhamento escolar e comunicação alternativa (PECS e CAA).

Perguntas frequentes

Quem tem direito ao AEE?

Pela Resolução CNE/CEB 4/2009, o público-alvo é formado por estudantes com deficiência, com transtornos globais do desenvolvimento (hoje o autismo) e com altas habilidades ou superdotação. Dislexia e TDAH, isoladamente, não entram nesse público, mas têm direito a acompanhamento pela Lei 14.254/2021.

AEE substitui a aula na sala comum?

Não. O Decreto 7.611/2011 define o AEE como complementar ou suplementar à formação do aluno. Ele acontece preferencialmente no contraturno, e o estudante continua matriculado e frequentando a turma regular.

Precisa de laudo para o aluno ir para o AEE?

A Nota Técnica MEC/SECADI 4/2014 orienta que o laudo médico não é exigência para o atendimento, porque o AEE é pedagógico. O ponto de partida é o estudo de caso feito pela professora do AEE. O laudo, quando existe, complementa as informações.

Qual a diferença entre plano de AEE e PEI?

O plano de AEE organiza o que acontece no atendimento especializado: objetivos, recursos, frequência e parcerias. O PEI é mais amplo e envolve o planejamento da sala comum. Muitas redes usam um documento único, outras separam os dois.

Materiais para imprimir sobre este tema

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