O que é AEE: guia para a professora, com legislação e plano de AEE em PDF
AEE é o atendimento que identifica e remove barreiras para o aluno público-alvo da educação especial. Complementa a sala comum, não a substitui.
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AEE é o atendimento que identifica e remove barreiras para o aluno público-alvo da educação especial. Ele complementa a sala comum e nunca a substitui. Neste guia estão a base legal, o público-alvo, o que a professora do AEE faz na semana, um quadro de responsabilidades e os modelos para imprimir. Os materiais do tema estão reunidos no hub de Inclusão e AEE.
O que significa AEE
Atendimento Educacional Especializado é um serviço da educação especial que organiza recursos de acessibilidade e estratégias pedagógicas para que o estudante participe e aprenda na escola comum. A palavra-chave é barreira: o foco do AEE não é “consertar” a criança, e sim identificar o que, no ambiente, no material ou na forma de ensinar, impede a participação.
Três ideias resumem o serviço:
- É complementar ou suplementar. Complementar para estudantes com deficiência e autismo; suplementar para altas habilidades.
- É pedagógico, não clínico. A professora do AEE não faz terapia, não diagnostica e não substitui fonoaudiólogo, psicólogo ou terapeuta ocupacional.
- Acontece em articulação com a sala comum. Se o que é feito no AEE não chega à turma regular, o atendimento perde metade do sentido.
O que diz a legislação
| Norma | O que estabelece para o AEE |
|---|---|
| Resolução CNE/CEB 4/2009 | Diretrizes operacionais: público-alvo, oferta preferencial em sala de recursos multifuncionais no contraturno, plano de AEE e atribuições da professora |
| Decreto 7.611/2011 | AEE como serviço complementar ou suplementar; apoio técnico e financeiro da União; dupla matrícula no Fundeb |
| Lei 13.146/2015 (LBI) | Art. 28: sistema educacional inclusivo, AEE, plano de atendimento, profissional de apoio escolar, adaptações razoáveis |
| Lei 12.764/2012 | Direitos da pessoa com autismo, incluindo acompanhante especializado em caso de necessidade comprovada |
| Lei 14.254/2021 | Acompanhamento integral de estudantes com dislexia, TDAH ou outro transtorno de aprendizagem |
Um detalhe que gera confusão na escola: a Lei 14.254/2021 não coloca dislexia e TDAH dentro do público-alvo do AEE. Ela garante identificação precoce, encaminhamento e apoio, o que muitas redes organizam com a equipe pedagógica e, quando há vaga e critério local, também com o AEE. Vale conferir a normativa da sua rede.
Quem é o público-alvo
A Resolução CNE/CEB 4/2009, art. 4º, define três grupos:
- Estudantes com deficiência: física, intelectual, visual, auditiva ou múltipla.
- Estudantes com transtornos globais do desenvolvimento, termo da época que hoje corresponde principalmente ao transtorno do espectro autista.
- Estudantes com altas habilidades ou superdotação.
Para cada grupo o trabalho muda bastante. Com um aluno cego, o AEE ensina Braille, soroban e orientação e mobilidade. Com uma aluna surda, Libras e português escrito como segunda língua. Com um estudante autista, comunicação, previsibilidade e organização. Com um aluno com altas habilidades, enriquecimento curricular. Os guias específicos estão em atividades adaptadas para autismo, deficiência intelectual, deficiência visual e auditiva e altas habilidades.
Onde e quando acontece
O lugar preferencial é a sala de recursos multifuncionais, na própria escola ou em escola próxima, no contraturno. A resolução também prevê centros de AEE da rede pública ou de instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos conveniadas.
Na prática, a frequência varia: dois atendimentos semanais de 50 minutos é um arranjo comum, mas o plano de cada estudante define a carga. O atendimento pode ser individual ou em pequenos grupos, organizados por necessidade, não por diagnóstico. A rotina da sala está detalhada em sala de recursos: atividades e organização.
O que faz a professora do AEE
O art. 13 da Resolução 4/2009 lista as atribuições. Traduzidas para a semana real:
- Estudo de caso. Observar o aluno na sala comum, no recreio e no atendimento; conversar com a família e com a professora regente; ler relatórios anteriores.
- Plano de AEE. Definir objetivos, recursos, frequência e parcerias. É o documento de trabalho.
- Produzir e organizar recursos. Prancha de comunicação, material ampliado, texto em Braille, régua de leitura, jogos.
- Ensinar o uso dos recursos. Não basta entregar a prancha: o aluno precisa aprender a usá-la, e a turma também.
- Orientar a professora da sala comum e a família. Uma conversa de 15 minutos por semana com a regente costuma render mais do que uma hora de atendimento isolado.
- Acompanhar a funcionalidade dos recursos na sala comum e em outros espaços da escola.
- Articular com a saúde e a assistência social, quando necessário, sem assumir o papel desses serviços.
Quem faz o quê na inclusão
| Responsabilidade | Professora regente | Professora do AEE | Profissional de apoio | Coordenação |
|---|---|---|---|---|
| Planejar a aula da turma | Principal | Orienta adaptações | Não | Acompanha |
| Adaptar atividade do dia | Principal, com apoio | Sugere modelos | Aplica, sob orientação | Garante tempo |
| Ensinar recurso de acessibilidade | Reforça | Principal | Reforça | — |
| Higiene, alimentação, locomoção | — | — | Principal | Organiza |
| Avaliar aprendizagem | Principal | Contribui | Registra observações | Acompanha |
| Conversar com a família | Sim | Sim | Não sozinho | Media |
O profissional de apoio escolar está definido na LBI (art. 3º, XIII) e atua em alimentação, higiene, locomoção e atividades escolares, mas não substitui nenhuma das professoras. Mais em mediador escolar: o que faz.
Plano de AEE em seis campos
Cada rede tem seu formulário, mas um plano útil responde a estas perguntas:
- Quem é o estudante. Interesses, forma de comunicação, o que já faz com autonomia.
- Quais barreiras foram observadas. Comunicação, acesso ao texto, mobilidade, organização, interação.
- Objetivos do semestre. Poucos e observáveis. “Usar a prancha para pedir ajuda em três situações” é melhor que “desenvolver a comunicação”.
- Recursos e estratégias. O que será produzido e ensinado.
- Organização do atendimento. Dias, horário, individual ou em grupo, duração.
- Articulação. O que a sala comum vai fazer, o que a família vai fazer, quando revisar.
O Gerador de PEI com IA monta um rascunho a partir dessas informações. Você revisa, ajusta à sua rede e assina. Para entender a diferença entre os documentos, veja como fazer um PEI passo a passo.
As primeiras quatro semanas com um aluno novo
- Semana 1: observar em três contextos (sala, recreio, atendimento) e registrar o que o aluno faz, não o que falta.
- Semana 2: conversar com a família e com a regente; reunir relatórios de anos anteriores e, se houver, de terapeutas.
- Semana 3: escrever o plano de AEE com dois ou três objetivos e combinar com a regente uma única adaptação para começar.
- Semana 4: checar se a adaptação chegou à sala comum e ajustar. Só então acrescentar a próxima.
Começar pequeno parece lento, mas evita o plano de dez páginas que ninguém consegue cumprir.
Erros comuns no AEE
- Transformar o AEE em reforço escolar. Refazer a lição de casa no contraturno não remove barreira.
- Esperar laudo para começar. O estudo de caso pedagógico vem primeiro.
- Atendimento sem conversa com a regente. O recurso fica na sala de recursos e não vai para a turma.
- Objetivos genéricos. “Melhorar a atenção” não dá para avaliar no fim do semestre.
- Agrupar por diagnóstico. Dois alunos autistas podem precisar de coisas opostas.
Materiais para imprimir
| Material | Para quê | Acesso |
|---|---|---|
| Braille na Nossa Sala: a Tabela Oficial e Atividades | Apresentar o Braille à turma | Grátis |
| O PEI da Nossa Escola: Modelo Atualizado | Modelo de PEI para preencher | Assinante |
| Adaptar Sem Diminuir: Ficha de Adaptação de Atividades | Registrar adaptações com a regente | Assinante |
| PAEE — Plano de Atendimento Educacional Especializado (Autismo) | Plano de AEE pronto para adaptar | Assinante |
| Meu Dia na Escola: Prancha de CAA | Comunicação na rotina | Grátis |
| Números até 10: Caderno com Apoio Visual (AEE) | Matemática com apoio visual | Grátis |
| Vá Além: Caderno de Desafios para Altas Habilidades | Enriquecimento curricular | Assinante |
| Kit de Comunicação Visual | Cartões e pranchas | Assinante |
Continue com: adaptação curricular e flexibilização, laudo e encaminhamento escolar e comunicação alternativa (PECS e CAA).
Perguntas frequentes
Quem tem direito ao AEE?
Pela Resolução CNE/CEB 4/2009, o público-alvo é formado por estudantes com deficiência, com transtornos globais do desenvolvimento (hoje o autismo) e com altas habilidades ou superdotação. Dislexia e TDAH, isoladamente, não entram nesse público, mas têm direito a acompanhamento pela Lei 14.254/2021.
AEE substitui a aula na sala comum?
Não. O Decreto 7.611/2011 define o AEE como complementar ou suplementar à formação do aluno. Ele acontece preferencialmente no contraturno, e o estudante continua matriculado e frequentando a turma regular.
Precisa de laudo para o aluno ir para o AEE?
A Nota Técnica MEC/SECADI 4/2014 orienta que o laudo médico não é exigência para o atendimento, porque o AEE é pedagógico. O ponto de partida é o estudo de caso feito pela professora do AEE. O laudo, quando existe, complementa as informações.
Qual a diferença entre plano de AEE e PEI?
O plano de AEE organiza o que acontece no atendimento especializado: objetivos, recursos, frequência e parcerias. O PEI é mais amplo e envolve o planejamento da sala comum. Muitas redes usam um documento único, outras separam os dois.
Materiais para imprimir sobre este tema
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