Comunicação alternativa na escola: PECS, CAA e prancha de comunicação para imprimir
Comunicação alternativa (CAA) dá ao aluno sem fala funcional outro meio de se expressar: figuras, pranchas ou tablet. Não atrasa a fala.
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Comunicação alternativa (CAA) dá ao aluno sem fala funcional outro meio de se expressar, com figuras, pranchas, gestos ou tablet. Usar CAA não atrasa a fala. A seguir: os tipos de CAA, como funciona o PECS, como montar uma prancha para a sala de aula, um quadro de vocabulário por momento da rotina e como a turma participa. Os materiais estão no hub de Inclusão e AEE.
O que é CAA
Comunicação Alternativa e Aumentativa reúne recursos, estratégias e técnicas que complementam (aumentativa) ou substituem (alternativa) a fala. Na legislação brasileira, entra no conceito de tecnologia assistiva (LBI, art. 3º, III) e é um dos recursos que o AEE produz e ensina a usar (Resolução CNE/CEB 4/2009).
Os tipos mais comuns na escola:
| Tipo | Exemplo | Vantagem | Limite |
|---|---|---|---|
| Sem recurso externo | Gestos, sinais, expressão facial | Sempre disponível | Interlocutor precisa conhecer |
| Baixa tecnologia | Cartões, pranchas impressas, fichário | Barato, fácil de levar | Vocabulário limitado ao que está impresso |
| Média tecnologia | Botões com voz gravada | Dá voz ao pedido | Poucas mensagens |
| Alta tecnologia | Tablet com aplicativo de CAA | Vocabulário amplo, voz sintetizada | Custo, bateria, risco de quebra |
Na sala comum, a baixa tecnologia costuma ser o começo: funciona sem internet, a turma entende e a professora consegue produzir.
Como funciona o PECS
O PECS (Picture Exchange Communication System) foi criado nos Estados Unidos por Andy Bondy e Lori Frost, em 1985. A criança aprende a entregar uma figura a um adulto em troca do que deseja. A troca ensina a iniciativa: é ela quem começa a comunicação.
As seis fases, resumidas:
- Troca física. A criança pega a figura e entrega ao adulto, com ajuda de um segundo adulto.
- Distância e persistência. Busca a figura e o adulto, mesmo longe.
- Discriminação. Escolhe entre duas ou mais figuras.
- Estrutura de frase. Monta “eu quero + item” numa tira.
- Responder a “o que você quer?”.
- Comentar. “Eu vejo”, “eu ouço”, “eu tenho”.
O protocolo completo exige formação. Na sala comum, a professora costuma participar a partir da fase em que o aluno já está, seguindo a orientação da fonoaudióloga ou da professora do AEE.
Montar uma prancha para a sala de aula
1. Escolha o vocabulário
Comece com 12 a 20 figuras, misturando dois tipos:
- Vocabulário essencial: palavras que servem em qualquer situação: quero, não, mais, acabou, ajuda, eu, você, ir, parar, de novo.
- Vocabulário da situação: palavras daquele momento: lápis, cola, banheiro, água, lanche, parque.
2. Organize a prancha
- Mesma posição para as mesmas palavras em todas as pranchas.
- Cores por classe de palavra, se a equipe usar esse padrão.
- Figura com a palavra escrita embaixo.
- Tamanho adequado à motricidade e à visão do aluno.
3. Ensine usando
A estratégia mais importante tem nome: modelagem. O adulto aponta as figuras enquanto fala com o aluno. “Vamos (aponta ir) para o parque (aponta parque).” O aluno aprende a CAA vendo os outros usarem, como aprende a fala ouvindo.
4. Deixe sempre à mão
Prancha guardada na mochila não comunica. Ela precisa estar na mesa, no recreio, no refeitório e na educação física.
Vocabulário por momento da rotina
| Momento | Vocabulário sugerido |
|---|---|
| Chegada | oi, tchau, bom dia, mochila, guardar |
| Roda ou abertura | eu, você, hoje, gosto, não gosto, triste, feliz |
| Atividade | ajuda, terminei, mais, difícil, lápis, cola, tesoura |
| Lanche | quero, mais, acabou, água, comer, abrir |
| Banheiro | banheiro, lavar a mão, papel |
| Parque | brincar, balanço, escorregador, minha vez, sua vez |
| Saída | casa, mãe, pai, ônibus, amanhã |
Um exemplo de introdução da prancha
Aluna: M., 6 anos, 1º ano, autista, com poucas palavras faladas, que costuma puxar o adulto pela mão até o que quer.
Primeiras duas semanas:
- A professora do AEE monta, com a família, uma prancha de 16 figuras: quero, não, mais, acabou, ajuda, banheiro, água, lanche, parque, massinha, livro, música, eu, você, ir, parar.
- Na sala, a regente usa a prancha enquanto fala com M., sem exigir que ela aponte. Exemplo: “Agora (aponta ir) lanche (aponta lanche)”.
- No lanche, a merendeira e a professora esperam M. tocar em mais antes de servir mais suco. Se ela não toca, o adulto modela e serve.
- A família leva uma cópia para casa.
Semana 3 em diante: M. começa a tocar mais e acabou por conta própria. A equipe acrescenta quero + item e duas figuras da atividade preferida. Cada nova palavra entra só quando a anterior está sendo usada.
O ponto do exemplo: o vocabulário cresce a partir do que o aluno quer comunicar, e quem ensina é o adulto usando a prancha, não a prancha pendurada na parede.
Como a família entra
- Mesma prancha em casa e na escola, ou ao menos as mesmas figuras para as mesmas palavras.
- Caderno de recados com figuras, para a criança “contar” o dia.
- Combinar palavras novas que surgem em casa (o nome do cachorro, a avó) para incluir na prancha da escola.
A turma participa
- Apresente a prancha à turma como uma forma de falar, não como “coisa do colega”.
- Ensine os colegas a esperar a resposta. Comunicar pela prancha leva mais tempo.
- Use a prancha em atividades coletivas. Votação de história, chamada, escolha de música.
- Elogie a comunicação, não só a resposta correta.
Isso combina com a rotina visual: a sequência do dia mostra o que vai acontecer, e a prancha permite comentar e pedir.
CAA nos anos finais
Alunos mais velhos que usam CAA precisam de vocabulário compatível com a idade e com o conteúdo das aulas: termos de ciências, nomes de personagens históricos, opiniões (“concordo”, “discordo”, “não entendi a pergunta”). Pranchas infantis, com desenhos de bichinhos, afastam o adolescente. Nessa fase, aplicativos em tablet ou celular costumam ser mais aceitos, porque se parecem com o que os colegas usam. Envolva o aluno na escolha das palavras e das imagens.
No plano do aluno
Registre no PEI ou no plano de AEE: o sistema de CAA usado, em que fase o aluno está, o vocabulário atual, os objetivos (por exemplo, “pedir ajuda pela prancha em três situações diferentes por semana”) e quem atualiza o vocabulário. O Gerador de PEI com IA organiza esses dados em um rascunho para revisar com a equipe.
Lembre também que comunicar inclui recusar. Um aluno que aprende a tocar em não ou parar tem menos motivo para gritar, morder ou fugir quando algo o incomoda. Respeite a recusa sempre que possível, para que ele confie no recurso.
Erros comuns
- Retirar a prancha como castigo. É tirar a voz do aluno.
- Prancha só com pedidos. O aluno também precisa recusar, comentar e conversar.
- Vocabulário que nunca muda.
- Exigir fala antes de entregar o item. Se ele pediu pela prancha, ele pediu.
Materiais para imprimir
| Material | Para quê | Acesso |
|---|---|---|
| Meu Dia na Escola: Prancha de Comunicação Alternativa (CAA) | Prancha da rotina escolar | Grátis |
| Agenda Visual de Rotina | Sequência do dia | Grátis |
| Kit de Comunicação Visual | Cartões de comunicação | Assinante |
| Quadros de Comunicação (Versão 1) | Pranchas temáticas | Assinante |
| Quadros de Comunicação (Versão 2) | Pranchas temáticas | Assinante |
| Leque de Comunicação de Emergência | Comunicação em situações de crise | Assinante |
| Cartões de Conversação | Comentar e conversar | Assinante |
| Minha Rotina na Escola: Quadro com Cartões Primeiro/Depois | Primeiro e depois | Assinante |
Os materiais pagos fazem parte da coleção Autismo.
Continue com: histórias sociais com modelos, níveis de suporte no autismo e o que é AEE.
Perguntas frequentes
Usar prancha de comunicação atrapalha a criança a falar?
Não há evidência de que a CAA atrase a fala. Revisões de pesquisa indicam o contrário: em muitos casos a comunicação alternativa favorece a linguagem oral, porque a criança experimenta que comunicar funciona.
PECS e CAA são a mesma coisa?
Não. CAA é o nome amplo de qualquer forma de comunicação que complementa ou substitui a fala. O PECS é um método específico de CAA, com seis fases, em que a criança troca uma figura pelo que deseja. Para aplicar o protocolo completo, o ideal é formação específica.
Quem deve montar a prancha do aluno?
Idealmente a fonoaudióloga ou a professora do AEE, junto com a família, porque o vocabulário precisa ser o do aluno. A professora regente contribui com as palavras da rotina da sala e usa a prancha durante a aula.
A CAA é só para alunos autistas?
Não. Serve para qualquer pessoa com necessidades complexas de comunicação: paralisia cerebral, deficiência intelectual, síndromes genéticas, apraxia de fala, afasia. O autismo é apenas o caso mais frequente na escola.
Materiais para imprimir sobre este tema
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