Ilustração: Comunicação alternativa na escola: PECS, CAA e prancha de comunicação para imprimir
Inclusão

Comunicação alternativa na escola: PECS, CAA e prancha de comunicação para imprimir

Por Equipe Pluma ·

Resumo

Comunicação alternativa (CAA) dá ao aluno sem fala funcional outro meio de se expressar: figuras, pranchas ou tablet. Não atrasa a fala.

Neste artigo você vai encontrar
  1. O que é CAA
  2. Como funciona o PECS
  3. Montar uma prancha para a sala de aula
  4. Vocabulário por momento da rotina
  5. Um exemplo de introdução da prancha
  6. Como a família entra
  7. A turma participa
  8. CAA nos anos finais
  9. No plano do aluno
  10. Erros comuns
  11. Materiais para imprimir

Comunicação alternativa (CAA) dá ao aluno sem fala funcional outro meio de se expressar, com figuras, pranchas, gestos ou tablet. Usar CAA não atrasa a fala. A seguir: os tipos de CAA, como funciona o PECS, como montar uma prancha para a sala de aula, um quadro de vocabulário por momento da rotina e como a turma participa. Os materiais estão no hub de Inclusão e AEE.

O que é CAA

Comunicação Alternativa e Aumentativa reúne recursos, estratégias e técnicas que complementam (aumentativa) ou substituem (alternativa) a fala. Na legislação brasileira, entra no conceito de tecnologia assistiva (LBI, art. 3º, III) e é um dos recursos que o AEE produz e ensina a usar (Resolução CNE/CEB 4/2009).

Os tipos mais comuns na escola:

Tipo Exemplo Vantagem Limite
Sem recurso externo Gestos, sinais, expressão facial Sempre disponível Interlocutor precisa conhecer
Baixa tecnologia Cartões, pranchas impressas, fichário Barato, fácil de levar Vocabulário limitado ao que está impresso
Média tecnologia Botões com voz gravada Dá voz ao pedido Poucas mensagens
Alta tecnologia Tablet com aplicativo de CAA Vocabulário amplo, voz sintetizada Custo, bateria, risco de quebra

Na sala comum, a baixa tecnologia costuma ser o começo: funciona sem internet, a turma entende e a professora consegue produzir.

Como funciona o PECS

O PECS (Picture Exchange Communication System) foi criado nos Estados Unidos por Andy Bondy e Lori Frost, em 1985. A criança aprende a entregar uma figura a um adulto em troca do que deseja. A troca ensina a iniciativa: é ela quem começa a comunicação.

As seis fases, resumidas:

  1. Troca física. A criança pega a figura e entrega ao adulto, com ajuda de um segundo adulto.
  2. Distância e persistência. Busca a figura e o adulto, mesmo longe.
  3. Discriminação. Escolhe entre duas ou mais figuras.
  4. Estrutura de frase. Monta “eu quero + item” numa tira.
  5. Responder a “o que você quer?”.
  6. Comentar. “Eu vejo”, “eu ouço”, “eu tenho”.

O protocolo completo exige formação. Na sala comum, a professora costuma participar a partir da fase em que o aluno já está, seguindo a orientação da fonoaudióloga ou da professora do AEE.

Montar uma prancha para a sala de aula

1. Escolha o vocabulário

Comece com 12 a 20 figuras, misturando dois tipos:

  • Vocabulário essencial: palavras que servem em qualquer situação: quero, não, mais, acabou, ajuda, eu, você, ir, parar, de novo.
  • Vocabulário da situação: palavras daquele momento: lápis, cola, banheiro, água, lanche, parque.

2. Organize a prancha

  • Mesma posição para as mesmas palavras em todas as pranchas.
  • Cores por classe de palavra, se a equipe usar esse padrão.
  • Figura com a palavra escrita embaixo.
  • Tamanho adequado à motricidade e à visão do aluno.

3. Ensine usando

A estratégia mais importante tem nome: modelagem. O adulto aponta as figuras enquanto fala com o aluno. “Vamos (aponta ir) para o parque (aponta parque).” O aluno aprende a CAA vendo os outros usarem, como aprende a fala ouvindo.

4. Deixe sempre à mão

Prancha guardada na mochila não comunica. Ela precisa estar na mesa, no recreio, no refeitório e na educação física.

Vocabulário por momento da rotina

Momento Vocabulário sugerido
Chegada oi, tchau, bom dia, mochila, guardar
Roda ou abertura eu, você, hoje, gosto, não gosto, triste, feliz
Atividade ajuda, terminei, mais, difícil, lápis, cola, tesoura
Lanche quero, mais, acabou, água, comer, abrir
Banheiro banheiro, lavar a mão, papel
Parque brincar, balanço, escorregador, minha vez, sua vez
Saída casa, mãe, pai, ônibus, amanhã

Um exemplo de introdução da prancha

Aluna: M., 6 anos, 1º ano, autista, com poucas palavras faladas, que costuma puxar o adulto pela mão até o que quer.

Primeiras duas semanas:

  • A professora do AEE monta, com a família, uma prancha de 16 figuras: quero, não, mais, acabou, ajuda, banheiro, água, lanche, parque, massinha, livro, música, eu, você, ir, parar.
  • Na sala, a regente usa a prancha enquanto fala com M., sem exigir que ela aponte. Exemplo: “Agora (aponta ir) lanche (aponta lanche)”.
  • No lanche, a merendeira e a professora esperam M. tocar em mais antes de servir mais suco. Se ela não toca, o adulto modela e serve.
  • A família leva uma cópia para casa.

Semana 3 em diante: M. começa a tocar mais e acabou por conta própria. A equipe acrescenta quero + item e duas figuras da atividade preferida. Cada nova palavra entra só quando a anterior está sendo usada.

O ponto do exemplo: o vocabulário cresce a partir do que o aluno quer comunicar, e quem ensina é o adulto usando a prancha, não a prancha pendurada na parede.

Como a família entra

  • Mesma prancha em casa e na escola, ou ao menos as mesmas figuras para as mesmas palavras.
  • Caderno de recados com figuras, para a criança “contar” o dia.
  • Combinar palavras novas que surgem em casa (o nome do cachorro, a avó) para incluir na prancha da escola.

A turma participa

  • Apresente a prancha à turma como uma forma de falar, não como “coisa do colega”.
  • Ensine os colegas a esperar a resposta. Comunicar pela prancha leva mais tempo.
  • Use a prancha em atividades coletivas. Votação de história, chamada, escolha de música.
  • Elogie a comunicação, não só a resposta correta.

Isso combina com a rotina visual: a sequência do dia mostra o que vai acontecer, e a prancha permite comentar e pedir.

CAA nos anos finais

Alunos mais velhos que usam CAA precisam de vocabulário compatível com a idade e com o conteúdo das aulas: termos de ciências, nomes de personagens históricos, opiniões (“concordo”, “discordo”, “não entendi a pergunta”). Pranchas infantis, com desenhos de bichinhos, afastam o adolescente. Nessa fase, aplicativos em tablet ou celular costumam ser mais aceitos, porque se parecem com o que os colegas usam. Envolva o aluno na escolha das palavras e das imagens.

No plano do aluno

Registre no PEI ou no plano de AEE: o sistema de CAA usado, em que fase o aluno está, o vocabulário atual, os objetivos (por exemplo, “pedir ajuda pela prancha em três situações diferentes por semana”) e quem atualiza o vocabulário. O Gerador de PEI com IA organiza esses dados em um rascunho para revisar com a equipe.

Lembre também que comunicar inclui recusar. Um aluno que aprende a tocar em não ou parar tem menos motivo para gritar, morder ou fugir quando algo o incomoda. Respeite a recusa sempre que possível, para que ele confie no recurso.

Erros comuns

  • Retirar a prancha como castigo. É tirar a voz do aluno.
  • Prancha só com pedidos. O aluno também precisa recusar, comentar e conversar.
  • Vocabulário que nunca muda.
  • Exigir fala antes de entregar o item. Se ele pediu pela prancha, ele pediu.

Materiais para imprimir

Material Para quê Acesso
Meu Dia na Escola: Prancha de Comunicação Alternativa (CAA) Prancha da rotina escolar Grátis
Agenda Visual de Rotina Sequência do dia Grátis
Kit de Comunicação Visual Cartões de comunicação Assinante
Quadros de Comunicação (Versão 1) Pranchas temáticas Assinante
Quadros de Comunicação (Versão 2) Pranchas temáticas Assinante
Leque de Comunicação de Emergência Comunicação em situações de crise Assinante
Cartões de Conversação Comentar e conversar Assinante
Minha Rotina na Escola: Quadro com Cartões Primeiro/Depois Primeiro e depois Assinante

Os materiais pagos fazem parte da coleção Autismo.

Continue com: histórias sociais com modelos, níveis de suporte no autismo e o que é AEE.

Perguntas frequentes

Usar prancha de comunicação atrapalha a criança a falar?

Não há evidência de que a CAA atrase a fala. Revisões de pesquisa indicam o contrário: em muitos casos a comunicação alternativa favorece a linguagem oral, porque a criança experimenta que comunicar funciona.

PECS e CAA são a mesma coisa?

Não. CAA é o nome amplo de qualquer forma de comunicação que complementa ou substitui a fala. O PECS é um método específico de CAA, com seis fases, em que a criança troca uma figura pelo que deseja. Para aplicar o protocolo completo, o ideal é formação específica.

Quem deve montar a prancha do aluno?

Idealmente a fonoaudióloga ou a professora do AEE, junto com a família, porque o vocabulário precisa ser o do aluno. A professora regente contribui com as palavras da rotina da sala e usa a prancha durante a aula.

A CAA é só para alunos autistas?

Não. Serve para qualquer pessoa com necessidades complexas de comunicação: paralisia cerebral, deficiência intelectual, síndromes genéticas, apraxia de fala, afasia. O autismo é apenas o caso mais frequente na escola.

Materiais para imprimir sobre este tema

Leia também