Histórias sociais: como escrever, com 3 modelos prontos para a escola
História social é um texto curto que descreve uma situação, o que as pessoas pensam e o que costuma acontecer, para o aluno entender e se preparar.
Neste artigo você vai encontrar
- O que é uma história social
- Tipos de frase
- Como escrever, passo a passo
- Situações escolares que pedem história social
- Modelo 1: A fila do lanche
- Modelo 2: O simulado de incêndio
- Modelo 3: Quando eu perco no jogo
- Histórias sociais para adolescentes
- Como saber se está funcionando
- Como usar na rotina
- Materiais para imprimir
História social é um texto curto que descreve uma situação, o que as pessoas pensam e o que costuma acontecer. Serve para o aluno entender e se preparar. Neste artigo estão as regras de escrita, os tipos de frase, um quadro de situações escolares e três modelos prontos, escritos para você adaptar. Os materiais estão no hub de Inclusão e AEE.
O que é uma história social
A professora norte-americana Carol Gray criou as histórias sociais no início dos anos 1990 para alunos autistas. A ideia é simples: muitas regras sociais nunca são ditas em voz alta, e alguns alunos precisam que elas sejam explicadas com clareza, sem julgamento.
Uma boa história social:
- Descreve, não manda. Explica o que acontece e por quê.
- É escrita do ponto de vista do aluno, em primeira ou terceira pessoa.
- É positiva e verdadeira. Nada de ameaças ou promessas que a escola não cumpre.
- É curta. Para os pequenos, de cinco a dez frases, uma por página, com imagem.
- Responde às perguntas onde, quando, quem, o quê, como e por quê.
Tipos de frase
| Tipo | Função | Exemplo |
|---|---|---|
| Descritiva | Conta fatos da situação | “Na minha escola, o lanche é às 9h30.” |
| Perspectiva | Fala do que os outros pensam ou sentem | “A professora fica contente quando todos chegam juntos.” |
| Orientadora (diretiva) | Sugere uma resposta possível, com flexibilidade | “Eu posso tentar esperar na fila.” |
| Afirmativa | Reforça uma ideia compartilhada | “Isso é seguro.” |
| Cooperativa | Diz quem ajuda | “Se eu precisar, a tia Rosa me ajuda.” |
| Controle | Escrita pelo próprio aluno, com uma imagem que ele cria | “Quando a fila anda devagar, eu penso num trenzinho.” |
Gray recomenda que as frases descritivas e de perspectiva sejam a maioria, com no máximo uma frase orientadora para cada duas descritivas ou mais. Frases orientadoras usam “eu posso tentar”, não “eu devo” ou “eu vou”.
Como escrever, passo a passo
- Escolha a situação. Uma por vez. Observe: o que exatamente acontece antes e durante a dificuldade?
- Colete as informações. Com a família, a professora do AEE, outros adultos da escola.
- Escreva o título em forma de pergunta ou tema: “O que acontece no simulado de incêndio?”
- Introdução, desenvolvimento, conclusão. Começo que situa, meio que explica, fim tranquilizador.
- Use as palavras do aluno e evite termos absolutos (“sempre”, “nunca”). Prefira “geralmente”, “às vezes”.
- Ilustre com fotos reais da escola ou desenhos simples.
- Leia junto antes da situação, em momento calmo.
- Revise se a situação mudar.
Situações escolares que pedem história social
| Situação | Para quem costuma ser útil |
|---|---|
| Primeiro dia ou mudança de sala | Alunos que sofrem com novidade |
| Fila e espera | Quem tem dificuldade com tempo e proximidade |
| Simulado de incêndio, sinal alto | Sensibilidade a barulho |
| Professora substituta | Dependência de previsibilidade |
| Perder no jogo | Dificuldade de lidar com frustração |
| Passeio escolar | Mudança de rotina e ambiente |
| Ida ao banheiro sozinho | Autonomia |
| Trabalho em grupo | Interação e turnos |
Modelo 1: A fila do lanche
Esperar na fila do lanche
Na minha escola, a turma vai para o refeitório às 9h30. Nós andamos em fila. A fila ajuda todo mundo a chegar sem esbarrar. Às vezes a fila anda devagar. Isso acontece porque muitas crianças vão lanchar ao mesmo tempo. Enquanto espero, eu posso tentar contar até dez ou olhar o cartaz da parede. A professora fica contente quando a turma chega junta. Depois da fila, eu sento e como meu lanche.
Modelo 2: O simulado de incêndio
O que acontece no simulado de incêndio?
Algumas vezes por ano, a escola faz um treino chamado simulado. No simulado, um alarme toca. O som é alto e dura pouco tempo. O alarme serve para todos saberem que é hora de sair da sala com calma. Eu posso tentar tapar os ouvidos ou usar meu abafador. A professora vai na frente. Eu sigo a turma até o pátio. No pátio, a professora conta todos os alunos. Isso mostra que estamos seguros. Depois, voltamos para a sala e a aula continua. É só um treino.
Avise o aluno no dia, se a escola permitir saber antes. Se ele usar abafador, deixe-o à mão.
Modelo 3: Quando eu perco no jogo
Ganhar e perder
Na sala, às vezes jogamos jogos de tabuleiro e de cartas. Em todo jogo, alguém ganha e alguém perde. Hoje eu posso ganhar. Outro dia, meu colega pode ganhar. Quando eu perco, posso sentir raiva ou tristeza. Muitas pessoas sentem isso. Eu posso tentar respirar fundo e dizer “boa partida”. Meus colegas gostam de jogar com quem continua no jogo até o fim. Depois, podemos jogar de novo.
Histórias sociais para adolescentes
Nos anos finais, o formato muda: menos imagens infantis, mais texto, linguagem próxima da idade. Os temas também mudam: trabalho em grupo, mensagens no grupo da turma, piadas que os colegas fazem, troca de professores a cada aula, apresentação de seminário.
Um trecho de exemplo, sobre trabalho em grupo:
Trabalho em grupo
Em algumas aulas, os professores pedem trabalhos em grupo. Cada pessoa do grupo costuma ter uma tarefa: pesquisar, escrever, montar a apresentação ou falar. Às vezes os colegas têm ideias diferentes das minhas. Isso é comum em grupos. Eu posso tentar dizer minha ideia uma vez e ouvir as dos outros. Se o grupo escolher outra ideia, posso ajudar mesmo assim. Os professores costumam avaliar o trabalho do grupo todo.
Com adolescentes, muitas vezes funciona escrever a história junto com o aluno. Ele traz as perguntas, a professora ajuda a organizar as respostas.
Como saber se está funcionando
Defina antes o que vai observar. Por exemplo, para a história da fila:
- Quantas vezes por semana o aluno sai da fila ou empurra?
- Quanto tempo ele espera antes de demonstrar desconforto?
- Ele usa a estratégia sugerida (contar, olhar o cartaz)?
Registre por duas semanas antes da história e por duas a três semanas depois. Se nada muda, revise a história: talvez o problema seja outro (barulho do refeitório, fome, a pessoa que fica atrás dele). A história social é uma hipótese sobre o que o aluno não entendeu; o registro confirma ou derruba essa hipótese.
Como usar na rotina
- Leia antes, não durante a crise.
- Tenha a história à mão em um fichário ou na mochila.
- Combine com a família para ler também em casa.
- Observe o efeito por duas ou três semanas e ajuste.
- Escreva histórias de elogio, sobre algo que o aluno já faz bem. Elas fortalecem a relação e a autoestima.
Para registrar as situações trabalhadas e os objetivos, o Gerador de PEI com IA organiza o plano do aluno.
Uma última dica: escreva a história no tempo presente e evite metáforas. “Meu coração vai explodir” pode ser entendido ao pé da letra por alguns alunos.
Materiais para imprimir
| Material | Para quê | Acesso |
|---|---|---|
| Agenda Visual de Rotina | Antecipar a rotina do dia | Grátis |
| Histórias Sociais: Quatro Histórias para Ler Junto | Histórias prontas e ilustradas | Assinante |
| Pack de Histórias Sociais | Coleção de situações | Assinante |
| História Social: Boas Escolhas | Escolhas na escola | Assinante |
| História Social: Meu Espaço | Espaço pessoal | Assinante |
| Cartões de Situação Social | Conversar sobre situações | Assinante |
| Entendendo os Sentimentos | Frases de perspectiva | Assinante |
Os materiais pagos fazem parte da coleção Autismo.
Continue com: comunicação alternativa (PECS e CAA), rotina visual e ansiedade escolar.
Perguntas frequentes
Quem criou as histórias sociais?
Carol Gray, professora norte-americana, no início dos anos 1990, para alunos autistas. O formato depois passou a ser usado com outros estudantes que se beneficiam de informação social explícita.
História social serve para corrigir comportamento?
Não é esse o objetivo principal. Ela explica uma situação e ajuda o aluno a entender o que acontece e o que os outros esperam. Gray recomenda que pelo menos metade das histórias seja de elogio, contando algo que o aluno já faz bem.
Quantas vezes devo ler a história com o aluno?
Leia antes da situação acontecer, em momento calmo, por alguns dias seguidos. Depois, diminua a frequência. Ler em plena crise não costuma funcionar.
Posso usar a mesma história para vários alunos?
Pode usar como base, mas a história funciona melhor quando é personalizada: nome do aluno, foto da escola, detalhes reais da rotina dele. Uma história genérica perde força.
Materiais para imprimir sobre este tema
Leia também
Inclusão
Crise do aluno autista na escola: como agir antes, durante e depois
Inclusão
Comunicação alternativa na escola: PECS, CAA e prancha de comunicação para imprimir
Inclusão
Níveis de suporte no autismo (1, 2 e 3): o que muda em sala
Inclusão
Rotina visual para autismo (TEA): como montar (com modelo)
Inclusão
Alfabeto em Libras para imprimir: o que é a datilologia e como usar na escola
Inclusão
DUA na prática: Desenho Universal para a Aprendizagem com exemplos de aula e checklist para imprimir