Ilustração: Regimento escolar: o que é, estrutura por títulos e como elaborar passo a passo
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Regimento escolar: o que é, estrutura por títulos e como elaborar passo a passo

Por Equipe Pluma ·

Resumo

Regimento escolar é a norma interna da escola: organização, avaliação, direitos, deveres e convivência. Segue a LDB, o ECA e as normas da rede.

Este artigo faz parte do nosso guia sobre guia da BNCC.

Neste artigo você vai encontrar
  1. O que diz a legislação
  2. Estrutura por títulos
  3. Passo a passo de elaboração
  4. A parte de convivência: como escrever bem
  5. A parte de avaliação: o que não pode faltar
  6. Erros comuns
  7. Revisão periódica
  8. Regimento em linguagem acessível
  9. Casos que o regimento deveria prever
  10. Quem deve conhecer o regimento
  11. Materiais de apoio
  12. Encontros de revisão com a equipe
  13. Para continuar

Regimento escolar é a norma interna da escola: organização, avaliação, direitos, deveres e convivência. Segue a LDB, o ECA e as normas da rede. É o documento que responde, por escrito, às perguntas que geram conflito: quantas faltas reprovam, como funciona a recuperação, o que acontece quando um aluno agride um colega, quem decide uma transferência. Abaixo, o que diz a legislação, uma estrutura por títulos, como elaborar e aprovar, e os cuidados com medidas disciplinares.

Este texto é uma orientação geral para direção e coordenação; normas do conselho estadual ou municipal de educação prevalecem e devem ser consultadas. Os recursos de gestão estão no hub Gestão escolar.

O que diz a legislação

  • LDB (Lei 9.394/1996): a escola organiza a educação básica conforme as regras comuns do art. 24, várias delas remetidas ao regimento. Exemplos: a classificação em qualquer série, exceto a primeira do ensino fundamental, conforme regulamentação do sistema (art. 24, II); a possibilidade de o regimento admitir formas de progressão parcial nos estabelecimentos que adotam progressão regular por série (art. 24, III); a verificação do rendimento com prevalência dos aspectos qualitativos e estudos de recuperação, de preferência paralelos (art. 24, V); a frequência mínima de 75% do total de horas letivas (art. 24, VI).
  • Art. 23: a escola pode se organizar em séries anuais, períodos semestrais, ciclos, grupos não seriados ou outras formas, sempre que o interesse do processo de aprendizagem recomendar.
  • ECA (Lei 8.069/1990), art. 53: direito de ser respeitado pelos educadores, de contestar critérios avaliativos podendo recorrer às instâncias escolares superiores, de organização e participação em entidades estudantis.
  • ECA, arts. 18 e 232: dever de todos de velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de tratamento vexatório ou constrangedor.
  • Lei 13.185/2015: institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (bullying), com dever das escolas de prevenir e combater.
  • Lei 13.146/2015 (Lei Brasileira de Inclusão), art. 28: assegura sistema educacional inclusivo e proíbe a cobrança de valores adicionais de alunos com deficiência em escolas privadas.

Estrutura por títulos

Título Conteúdo típico
I. Disposições preliminares Identificação, mantenedora, etapas e modalidades, finalidades
II. Organização administrativa Direção, coordenação, secretaria, conselho escolar, conselho de classe
III. Organização didático-pedagógica Calendário, carga horária, organização em anos ou ciclos, currículo, projetos
IV. Matrícula e transferência Critérios, documentos, prazos, classificação e reclassificação
V. Frequência Controle, compensação de ausências, busca ativa
VI. Avaliação, recuperação e promoção Critérios, instrumentos, recuperação paralela, progressão, revisão de resultados
VII. Direitos e deveres De alunos, famílias, professores e funcionários
VIII. Convivência e medidas educativas Combinados, mediação de conflitos, medidas proporcionais, direito de defesa
IX. Disposições gerais e transitórias Casos omissos, vigência, revisão

Passo a passo de elaboração

  1. Consulte as normas da rede. Muitas secretarias publicam um regimento-padrão ou diretrizes obrigatórias. Escolas privadas seguem as normas do conselho estadual (ou municipal, quando o município tem sistema próprio e a escola é de educação infantil).
  2. Reúna os documentos de base: PPP, calendário, normas de avaliação da rede, regimento anterior.
  3. Forme uma comissão com gestão, professores, funcionários e representantes das famílias e do conselho escolar.
  4. Revise título por título, começando pelos que mais geram conflito: avaliação, frequência e convivência.
  5. Verifique a coerência com o PPP. Veja PPP: como montar.
  6. Consulte a comunidade sobre a parte de convivência e de direitos e deveres.
  7. Submeta à aprovação do órgão competente, conforme as regras do sistema.
  8. Divulgue: versão resumida para famílias e alunos, cópia integral disponível na escola.

A parte de convivência: como escrever bem

A seção de convivência é a mais lida pelas famílias e a mais delicada. Princípios:

  • Medidas educativas e proporcionais: conversa, registro, reparação do dano, mediação, atividade de reflexão, comunicação à família.
  • Gradação: do diálogo à medida mais grave, com critérios claros.
  • Direito de defesa: o aluno e a família são ouvidos antes de qualquer medida.
  • Sem vexame: nada de exposição pública, cartazes com nomes, castigos humilhantes.
  • Sem retirar o direito à educação: afastamentos, quando previstos, precisam garantir atividades e retorno.
  • Encaminhamento à rede de proteção (Conselho Tutelar, saúde, assistência) quando houver sinal de violação de direitos.
Situação Exemplo de medida educativa
Desrespeito ao combinado da turma Conversa individual e retomada do combinado
Dano ao material do colega Reparação e conversa com a família
Conflito entre alunos Mediação com a coordenação ou a orientação
Intimidação sistemática (bullying) Plano de ação conforme a Lei 13.185/2015, acolhimento da vítima, trabalho com o autor e a turma
Agressão física Registro, comunicação imediata à família, medida proporcional com direito de defesa

A parte de avaliação: o que não pode faltar

  • Instrumentos e frequência de avaliação.
  • Como os resultados são expressos (notas, conceitos, relatórios descritivos).
  • Recuperação paralela e final, se houver.
  • Critérios de promoção e retenção, inclusive na transição entre ciclos.
  • Prazo e forma de pedido de revisão de resultado pela família, garantindo o direito do ECA (art. 53, III).
  • Papel do conselho de classe nas decisões finais.

Erros comuns

  • Regimento copiado de outra escola, com cargos que não existem.
  • Regras de avaliação diferentes do que é praticado.
  • Medidas disciplinares vagas (“o aluno será punido”) ou desproporcionais.
  • Ausência de previsão para educação especial e inclusão.
  • Documento aprovado e nunca divulgado às famílias.

Revisão periódica

Revise o regimento sempre que mudar a legislação, a organização da escola (por exemplo, ampliação para tempo integral) ou as normas da rede, e avalie anualmente se as regras estão sendo cumpridas. Registre as alterações em ata e submeta à aprovação conforme o sistema.

Regimento em linguagem acessível

O texto do regimento costuma ser técnico, e as famílias raramente o leem. Uma boa prática é produzir um guia de quatro a seis páginas, com perguntas e respostas: quantas faltas o aluno pode ter, como funciona a recuperação, o que acontece se houver briga, como pedir revisão de nota, quem procurar em cada situação. Entregue esse guia na matrícula e retome os pontos principais na primeira reunião de pais. Para os alunos, a parte de convivência pode ser trabalhada em sala junto com os combinados da turma.

Casos que o regimento deveria prever

  • Aluno que chega transferido no meio do ano, com notas em outro sistema de avaliação.
  • Aluno sem documentação escolar anterior (classificação por avaliação da escola).
  • Faltas por motivo de saúde prolongado e regime de exercícios domiciliares.
  • Uso de celular e de imagens de alunos e professores.
  • Situações de violência que exigem comunicação ao Conselho Tutelar.

Prever esses casos evita decisões improvisadas e tratamento diferente para situações iguais.

Quem deve conhecer o regimento

Todos os profissionais da escola precisam conhecer pelo menos as partes de avaliação, frequência e convivência, porque são eles que aplicam as regras no dia a dia. Uma leitura comentada na semana pedagógica, com casos práticos discutidos em grupos, evita interpretações diferentes entre turnos e segmentos. Professores novos devem receber o regimento no kit de acolhimento, com um resumo dos pontos mais usados. Quando surgir uma dúvida na aplicação, registre a decisão tomada para orientar casos futuros e para alimentar a próxima revisão do texto.

Materiais de apoio

O regimento é um texto normativo próprio de cada escola e rede. Os materiais abaixo apoiam a parte de convivência e de avaliação, que costuma ser detalhada em anexos e no trabalho com as turmas.

Material Para quê Acesso
Autoavaliação do Aluno Avaliação com participação do aluno Grátis
Termômetro do Comportamento Trabalho com convivência Grátis
Combinados da Turma Regras construídas com a turma Assinante
Cartaz de Combinados Combinados visíveis na sala Assinante
Avaliação e Rubricas: modelos prontos Critérios de avaliação Assinante
Rubricas de Avaliação por Habilidade Critérios por habilidade Assinante

Encontros de revisão com a equipe

Para organizar as reuniões da comissão título por título, o Gerador de Pauta monta pautas com objetivo, tempo e encaminhamentos.

Para continuar

Perguntas frequentes

O que é o regimento escolar?

É o documento normativo que regula o funcionamento da escola: estrutura administrativa e pedagógica, matrícula, frequência, avaliação, recuperação, classificação, direitos e deveres de alunos, famílias e profissionais, e regras de convivência.

Quem aprova o regimento escolar?

Depende do sistema de ensino. Em geral, a escola elabora com participação da comunidade e o texto é aprovado ou homologado pelo órgão competente da rede (secretaria ou conselho de educação), conforme as normas locais. Escolas de uma mesma rede pública podem ter regimento comum.

O regimento pode prever suspensão de aluno?

Pode prever medidas disciplinares, desde que proporcionais, educativas, com direito de defesa da criança ou adolescente e da família, e sem impedir o direito à educação. Medidas que expõem o aluno a vexame ou constrangimento violam o ECA (art. 18 e art. 232).

Qual a relação entre regimento e PPP?

O PPP define a identidade e as concepções da escola; o regimento transforma isso em regras. Se o PPP fala em avaliação contínua e formativa, o regimento precisa prever recuperação paralela e critérios coerentes com isso.

Materiais para imprimir sobre este tema

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