Educação Infantil

Atividades de Folclore para a Educação Infantil (lendas e brincadeiras)

Por Equipe Pluma ·

Resumo: As melhores atividades de folclore para a educação infantil combinam contação de lendas (Saci, Curupira, Iara, Boitatá) com brincadeiras cantadas e roda, exploradas pelos campos de experiência da BNCC. O Dia do Folclore é 22 de agosto, mas o tema rende uma semana ou mês inteiro. Priorize o corpo, a oralidade e o brincar: nada de folha de desenho o dia todo.

O folclore é um dos temas mais ricos para a educação infantil: mistério, natureza, música, movimento e um monte de história boa para contar. O problema é quando ele vira só uma pilha de desenhos do Saci para colorir. Aqui você vai encontrar atividades de folclore prontas, organizadas por lenda e por campo de experiência da BNCC, para montar uma semana (ou o mês inteiro de agosto) cheia de brincadeira de verdade.

Quando é o Dia do Folclore e por que trabalhar o tema

O Dia do Folclore é 22 de agosto. A data foi oficializada no Brasil em 1965 e celebra tudo aquilo que o povo cria e passa de geração em geração: lendas, cantigas, brincadeiras, adivinhas, parlendas, danças e comidas típicas.

Para a educação infantil, o folclore é um prato cheio porque conversa diretamente com o jeito que a criança pequena aprende: pelo corpo, pela imitação, pela oralidade e pela repetição. Uma parlenda como “Hoje é domingo, pé de cachimbo” trabalha ritmo, memória e linguagem sem a criança perceber que está “estudando”.

E não precisa espremer tudo em um único dia. O tema rende fácil uma semana temática ou um projeto de duas a quatro semanas em agosto. Se você quer se organizar com antecedência, vale já deixar as datas marcadas no seu calendário escolar de 2026.

As lendas principais para os pequenos

Nem toda lenda combina com criança de creche e pré-escola. Algumas têm terror demais. A dica é escolher versões curtas, com foco no mistério e na natureza, e deixar o susto de lado. Estas são as mais amigáveis:

  • Saci-Pererê — o menino de uma perna só, gorro vermelho e cachimbo, que apronta travessuras e vive dentro dos redemoinhos de vento. Ótimo para trabalhar equilíbrio e o “pular numa perna só”.
  • Curupira — o guardião da floresta, de cabelos de fogo e pés virados para trás, que protege os animais e as árvores. Perfeito para conversar sobre cuidar da natureza.
  • Iara — a mãe d’água, sereia dos rios que encanta com o canto. Rende música, água e movimento.
  • Boitatá — a cobra de fogo que protege os campos. Bom para explorar luz, cores e o contraste claro/escuro.
  • Cuca e Boto também aparecem bastante, mas exigem versões mais suaves para a faixa etária.

Como contar sem assustar

Conte com voz, gesto e objeto (um gorro vermelho, uma lanterna, um pano azul de rio). Deixe a criança prever o que vai acontecer, imitar o personagem e recontar do jeito dela. Recontar é uma das habilidades de linguagem oral mais importantes da BNCC nessa etapa.

Tabela: lenda x atividade pronta

Escolha uma lenda por dia ou por semana e use a sugestão de atividade principal. Todas usam material simples e priorizam corpo e oralidade.

LendaAtividade principalCampo de experiência (BNCC)Material
Saci-PererêCircuito “pula numa perna só” e caça ao gorro vermelho escondidoCorpo, gestos e movimentosCones, gorro de papel/EVA
CurupiraTrilha dos “pés ao contrário”: andar de costas seguindo pegadas no chãoCorpo, gestos e movimentosPegadas de papel coladas no chão
IaraRoda cantada perto de um “rio” de tecido azul; explorar sons da águaTraços, sons, cores e formasTecido/TNT azul, chocalhos
BoitatáPintura com luz: desenhar a cobra de fogo com lanterna no escurinhoTraços, sons, cores e formasLanterna, papel celofane colorido
CucaCantar “Nana neném” e criar um mini livro do sono da turmaEscuta, fala, pensamento e imaginaçãoPapel dobrado, giz de cera
BotoFaz de conta “festa junina do rio”: dança e personagensO eu, o outro e o nósFantasias improvisadas

Essa estrutura de lenda + campo de experiência é a mesma lógica de um bom planejamento por habilidades da BNCC: você parte da intenção pedagógica e só depois escolhe a brincadeira.

Folclore não é só lenda. As brincadeiras cantadas são o coração do tema na educação infantil, e a maioria você já conhece de cor:

  • Roda: “Ciranda, cirandinha”, “Atirei o pau no gato” (dá para adaptar para “não atirei o pau no gato”, cuidando dos animais).
  • Pular corda com parlendas: “Um, dois, feijão com arroz”.
  • Amarelinha: desenhada no chão do pátio, trabalha números, equilíbrio e vez de cada um.
  • Escravos de Jó: coordenação, ritmo e trabalho em grupo com os objetos passando.
  • Adivinhas e trava-línguas: “O que é, o que é?” e “O rato roeu a roupa do rei de Roma”.

O ganho aqui é enorme: enquanto brinca, a criança desenvolve consciência fonológica, ritmo, memória e linguagem oral. Se quiser aprofundar essa ponte entre brincadeira e alfabetização, vale a leitura sobre métodos de alfabetização e o papel da linguagem oral antes da escrita.

Ideias por campo de experiência da BNCC

Para não deixar o projeto capenga (só desenho, só música), distribua as atividades pelos cinco campos de experiência:

O eu, o outro e o nós

Roda de conversa: “Qual lenda te deu mais medo? Qual você achou mais engraçada?”. Combine as regras das brincadeiras em grupo (respeitar a vez, dividir o material).

Corpo, gestos e movimentos

Imitação dos personagens: pular como o Saci, andar como o Curupira, nadar como a Iara. Circuitos e brincadeiras de pátio.

Traços, sons, cores e formas

Pintura da cobra de fogo, colagem, exploração de instrumentos de percussão para sonorizar as histórias.

Escuta, fala, pensamento e imaginação

Contação e reconto de lendas, adivinhas, parlendas e a criação coletiva de uma nova lenda da turma.

Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações

Amarelinha (contagem), “esconde o Saci” (noções de dentro/fora, perto/longe), receita simples de comida típica para explorar medidas.

Como montar sua semana do folclore (sem virar noites)

Um roteiro que funciona bem para a semana de 18 a 22 de agosto:

  1. Segunda — Apresentação do tema e contação do Saci. Circuito de pular numa perna só.
  2. Terça — Curupira e a floresta. Roda de conversa sobre cuidar da natureza + trilha dos pés ao contrário.
  3. Quarta — Iara e a água. Brincadeiras cantadas de roda.
  4. Quinta — Boitatá. Pintura com luz e cores.
  5. Sexta (22/8) — Culminância: dia das brincadeiras da tradição (amarelinha, corda, adivinhas) e mostra dos trabalhos para as famílias.

Se você quiser transformar esse roteiro em um plano de aula formal, com objetivos e habilidades da BNCC já preenchidos, o gerador de plano de aula da Pluma monta a estrutura em segundos e você só ajusta. E para adaptar qualquer brincadeira para crianças com deficiência, lembre do princípio de que adaptar não é simplificar: mantenha o desafio e o objetivo, mude só o caminho (uma amarelinha tátil, um reconto por figuras, uma brincadeira de roda sentada).

Folclore que fica na memória

O melhor jeito de trabalhar folclore com os pequenos é do jeito que o folclore sempre foi: brincando, cantando e contando. Menos folha, mais chão de pátio. Escolha três ou quatro lendas, uma punhado de brincadeiras cantadas e distribua pelos campos de experiência — o resto acontece sozinho.

Quer economizar tempo no preparo? Monte seu roteiro no gerador de plano de aula com IA e explore mais ideias prontas nos materiais de datas comemorativas da Pluma.

Perguntas frequentes

Qual a data do Dia do Folclore?

O Dia do Folclore é comemorado em 22 de agosto no Brasil. A data foi oficializada em 1965 e marca a valorização das lendas, brincadeiras, músicas e tradições populares brasileiras.

Quais lendas trabalhar com a educação infantil?

As mais acessíveis para os pequenos são Saci-Pererê, Curupira, Iara, Boitatá, Cuca e Boto. Escolha versões curtas e sem excesso de medo, focando no mistério, na natureza e na diversão.

Como trabalhar folclore sem cair só no desenho para colorir?

Priorize o corpo e a oralidade: contação de história, brincadeiras cantadas (roda, amarelinha, pular corda), imitação dos personagens, música e movimento. O desenho é uma das linguagens, não a única.